Beijei os lábios da noite
Ela de pronto me seduziu
E presenteou-me com muita dor
Ouça suas gargalhadas de prazer
Ao me ver sofrer
Eu cometi o melhor pecado
Fui condenada a escuridão
E ao frio das madrugadas
Sinto como estacas afiadas
Que me trespassam o peito em agonia
Sobrevivo pela eternidade
Numa verdadeira mentira
Nas mentiras que finjo acreditar
Na verdade que nunca pude evitar
Cheia de ilusões e culpas
Já não choro mais
Não tenho lágrimas
Palavras bonitas não me comovem
Mentiras não me convencem
Quando a noite chega ao fim
Vou vagando em vão
Sumindo na frieza da neblina
Que congela meu ser e meu coração
E assim se passam os dias e as noites
Corroendo o restinho de bem
Que ainda resta em mim
Me tornando o que nunca desejei ser
Meu coração grita no silencio
Das minhas palavras
Implorando o amor divino
Que me devolva a inocência

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